Espaço que uso para provocar.
Você não vai encontrar aqui nada, além de coceiras!
Por Sami Nayef
Enquanto observo as idas e vindas de sujeitos as telas dos seus celulares, ao seus jogos de estratégia favoritos no videogame, ao consumo de conteúdo em redes sociais, percebo quase simultaneamente que o inconsciente freudiano está sendo reprimido e uma nova estrutura vai se formando em seu horizonte. Quem conseguirá ser desejante quando a única coisa que essa estrutura está demandando como algo importante é a pratica de ser um objeto que observa ou é observado?
Quem já percebeu esse ciclo patológico? O que controla nova estrutura, que agora é composta não mais pela estrutura do inconsciente freudiano, mas por algoritmos, redes sociais, IA e fluxo de dados ininterruptos? Essa é a nova forma, muito eficaz, de criar cultura de reprodução, promoção e exibição dos sintomas no âmbito social? Telas, redes sociais, visibilidade constante, scroll infinito estão organizando sintomas? Não é essa estrutura que está controlando e selecionando tudo para os sujeitos, desde de as recompensas, as interrupções, as repetições…? Os sujeitos não estão sendo “ensinados” a se apresentarem, desejarem, compararem, confessarem, responderem e se automonitorarem?
O trabalho da tela é evitar a castração operando em sua forma maternal. Ela é receptiva, acolhedora, convidativa e protetora, ao mesmo tempo em que vai oferecendo ao sujeito esse fluxo continuo onde sempre um novo objeto surge, sem parar, mais e mais e cada vez mais e muito mais… aproveite! O sujeito não consegue experimentar insatisfação, intervalo e assim o desejo se perde no fluxo de dados.
Rolando a tela initerruptamente tudo vai sendo decodificado como infinito. Objeto infinito, gozo infinito, vida infinita! Assim, só vai restar adaptar-se constantemente a essa nova estrutura, para que possa performar e evitar o desaparecimento. Não há castração possivel nesse feed infinito!

